Rafael Stark no Brazil Conference 2026
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Infraestrutura financeira, confiança e tecnologia: o que a Brazil Conference revelou sobre o próximo sistema financeiro brasileiro

No debate sobre infraestrutura financeira e confiança, Rafael Stark, CEO e fundador do Stark Bank, conversou com Lucas Vargas, CEO da Nomad, em um debate mediado por Isabela Silvares. A mensagem foi direta: o futuro não será definido por quem lança mais produtos, mas por quem constrói uma base capaz de operar em escala.

No último fim de semana, a Brazil Conference reuniu estudantes e lideranças para discutir os caminhos do Brasil em Harvard e no MIT (Massachusetts Institute of Technology), em Boston e Cambridge, nos Estados Unidos. O evento, criado por estudantes, virou um ponto de encontro recorrente para conversas sobre tecnologia, economia e políticas públicas.

A infraestrutura financeira é essencial para o desenvolvimento econômico e social.

Em 2026, a conferência registrou mais de mil participantes presenciais, com mais de 60 palestrantes. É nesse tipo de ambiente que circulam ideias sobre infraestrutura financeira e, com frequência, talentos que acabam formando a próxima geração do mercado.

A discussão mais relevante, no entanto, apareceu onde menos gente costuma olhar: na base. No painel sobre tecnologia, confiança e futuro do sistema financeiro, a tese central foi que a próxima onda de transformação não será decidida por uma nova interface ou por mais um produto, mas pela infraestrutura financeira que sustenta pagamentos, conciliação, segurança e escala.

O problema nunca foi só o produto. Foi a infraestrutura financeira

Durante muito tempo, a inovação no sistema financeiro foi entendida como “melhorar a ponta”. O aplicativo, o onboarding, a jornada… O que mudou é que o mercado começou a cobrar outra coisa: integração, previsibilidade e automação real.

Quando a infraestrutura é limitada, as empresas pagam o preço em processos manuais, sistemas que não se conectam e pouca rastreabilidade. E isso aparece justamente nos momentos críticos, picos de demanda, fechamento do mês, sazonalidade e incidentes de segurança.

A escala do Pix ajuda a explicar por que a discussão ficou mais séria. Em dezembro de 2025, o sistema registrou 313,3 milhões de transações em 24 horas e R$ 179,9 bilhões movimentados em um único dia, de acordo com números do Banco Central divulgados pela Agência Brasil. Em um ambiente com esse volume, infraestrutura não é bastidor. É regra do jogo.

Confiança é engenharia, não discurso

Outro ponto que dominou o debate foi a confiança. Em finanças, confiança não se constrói com promessa. Se constrói com consistência.

Para o mercado corporativo, isso se traduz em evidências: resiliência operacional, trilhas de auditoria, padrões de segurança, governança e aderência regulatória. O que o painel reforçou é que “confiar” não é um sentimento. É um conjunto de camadas técnicas e operacionais que reduzem risco e ampliam previsibilidade.

É aqui que o tema volta para a infraestrutura financeira: quanto mais a base é sólida, mais a empresa consegue crescer sem que o financeiro vire gargalo.

Banco como software: quando o financeiro entra no fluxo do negócio

A mudança de paradigma pode ser resumida em uma frase: banco como software.

Na prática, isso significa finanças integradas a fluxos internos via APIs, com execução automatizada e conciliação estruturada. O ganho não é só eficiência, mas também clareza.

Quando pagamentos, recebimentos e controles deixam de depender de planilhas e rotinas manuais, a empresa reduz retrabalho, encurta tempo de resposta e toma decisões melhores. E isso é especialmente decisivo em ciclos de crescimento, quando o volume sobe e o custo do erro aumenta.

IA como infraestrutura operacional, não como enfeite

A inteligência artificial apareceu no evento com um enquadramento mais maduro: menos “tendência” e mais infraestrutura operacional.

O ponto não é usar IA para parecer moderno. É usar IA para reduzir o trabalho que não escala: análise de documentos, conferência de dados, suporte à tomada de decisão e aumento de produtividade do time financeiro e técnico. Quando aplicada de forma consistente, IA deixa de ser um projeto paralelo e vira parte do motor operacional.

O que fica da Brazil Conference para quem constrói o setor

A mensagem do encontro foi clara: a próxima fase do sistema financeiro será definida por quem combina três coisas.

  • Infraestrutura financeira moderna para operar em escala.
  • Confiança construída com disciplina e evidência.
  • E tecnologia aplicada para remover trabalho manual do caminho.

No fundo, a discussão foi mais sobre execução. Crescer exige movimento, e o movimento exige clareza, controle e consistência. Quando as empresas usam tecnologia financeira para remover obstáculos, o caminho fica mais claro para avançar e crescer.