Camila Yunes Guarita, fundadora da Kura, analisa a pesquisa Art Basel e UBS 2026: Geração Z, IA, compra direto do artista e o futuro do colecionismo.
Saiu a edição 2026 da pesquisa Art Basel e UBS, o Survey of Global Collecting, conduzida pela economista Clare McAndrew, da Arts Economics. É uma das pesquisas mais completas sobre o comportamento de quem coleciona: 3.100 colecionadores de alto patrimônio em dez países, incluindo o Brasil.
Li a pesquisa Art Basel e UBS com atenção. Muito do que está ali eu vejo acontecer na Kura todos os dias.
1. A Geração Z virou a maior compradora
O gasto médio com arte subiu 13% em 2025 e chegou a US$ 124 mil por colecionador. Na Geração Z, a média foi de US$ 347 mil, alta de 19% e mais que o dobro de qualquer outra geração. Os jovens também respondem por quase metade de quem comprou obras acima de US$ 1 milhão.
Na Kura, percebo a mesma mudança. Os clientes estão mais jovens e chegam com mais curiosidade e mais vontade de entender o que estão comprando.
2. O mercado é mais acessível do que parece
Só 1% dos colecionadores comprou obras acima de US$ 1 milhão. No primeiro semestre de 2026, 77% gastaram menos de US$ 50 mil. Ou seja, colecionar não começa no topo. Começa com escolhas bem-feitas, em qualquer faixa de investimento.
3. Coleção virou legado
A família é a principal porta de entrada para o colecionismo: 28% no geral e 40% entre os jovens. Quase 90% dos colecionadores da Geração Z que herdaram obras decidiram mantê-las. Isso mostra que a grande transferência de patrimônio entre gerações já está em curso, e a arte faz parte dela.
Vejo isso de perto, inclusive na minha própria história. Cada vez mais, as famílias querem planejar suas coleções pensando em quem vem depois.
4. O colecionador de hoje estuda
72% fazem pesquisa independente antes de comprar, contra 62% no ano anterior. Entre os jovens, são 80%. O uso de apps e ferramentas de IA para pesquisar arte saltou de 4% em 2024 para 22%. Dois terços dos colecionadores acreditam que a IA ajuda a descobrir novos artistas. A maior preocupação é com fraude e falsificação.
Isso é ótimo. Um colecionador informado faz perguntas melhores. Mas informação não substitui olhar, contexto e relacionamento. Esse é justamente o papel de uma boa assessoria.
5. Comprar direto do artista ganhou força
As galerias seguem sendo o principal canal: 87% compraram de galeristas, diretamente ou em feiras. Ao mesmo tempo, 69% compraram direto de artistas, mais que o dobro de 2024. Isso inclui visitas a ateliês, encomendas e até compras pelo Instagram.
6. Raridade pesa mais que status
Para 43% dos colecionadores, o mais importante é ter algo único. Entre os jovens, 48%. E, curiosamente, a Geração Z é a mais discreta: 39% mostram suas coleções apenas a família e amigos próximos. Menos ostentação, mais significado.
Minha leitura da pesquisa Art Basel e UBS
Estou otimista. A confiança no mercado segue alta: 58% dos colecionadores esperam crescimento nos próximos 12 meses, e 60% no horizonte de dez anos. Entre os jovens, o otimismo é ainda maior.
Temos uma nova geração chegando com repertório, interesse genuíno e uma visão de longo prazo. Isso fortalece artistas, galerias e o mercado como um todo.
O recado é claro: colecionar bem não depende do tamanho do investimento, e sim do método. Pesquisa, contexto, boas relações e uma coleção que faça sentido para quem você é.
Camila Yunes Guarita
Fundadora da Kura

