Em entrevista ao Capital Insights, fundador detalha planos de internacionalização, o caminho regulatório no Brasil e metas de crescimento para 2026. O pano de fundo é o mesmo: operar em volume exige tecnologia, governança e previsibilidade.
O Stark Bank no exterior: a companhia já se organiza para dar um passo fora do Brasil. Em entrevista ao Capital Insights, programa da Broadcast em parceria com a CNN Brasil Money, o fundador Rafael Stark afirmou que a empresa já pediu licença bancária para operar em outro país e espera iniciar a operação internacional em 2027, ainda sem revelar o destino.
A movimentação ocorre em um momento em que o setor passa por mais escrutínio regulatório e por uma corrida por eficiência. Segundo Stark, o Banco Central “aperta o cerco” e tende a haver uma depuração do mercado, com empresas tecnicamente preparadas permanecendo.
A seguir, reunimos os principais pontos da entrevista e o que eles sinalizam para empresas que dependem de uma infraestrutura financeira que não pode falhar.
1) Expansão internacional em 2027 já está em preparação
De acordo com a CNN Brasil, Rafael Stark disse que o Stark Bank já solicitou uma licença bancária para operar em um país no exterior e que a expectativa é começar a operar por lá em 2027.
Na prática, isso coloca a empresa em uma fase comum a organizações que atingem escala relevante no mercado doméstico: buscar novos mercados, sem descolar do que sustenta o core (tecnologia, compliance e execução).
2) Licença bancária no Brasil e mudança de exigências para o setor
A entrevista também reforça um tema que tem impacto direto na comunicação e no posicionamento das fintechs no país: Stark afirmou que o Stark Bank pediu licença bancária ao Banco Central em dezembro de 2023, e que a autorização ainda não saiu.
No mesmo contexto, a reportagem aponta que o fundador vê o Banco Central endurecendo regras e que, pela nova regulação, fintechs que usam “banco” ou “bank” no nome, sem serem bancos, precisarão se adequar às exigências.
Esse tipo de movimento costuma ter um efeito prático para o mercado corporativo: ele eleva o padrão de transparência e reduz espaço para estruturas frágeis.
3) Estrutura atual e alternativas de captação
Segundo a CNN Brasil, hoje o Stark Bank opera com licença de Instituição de Pagamento e de SCD (Sociedade de Crédito Direto) e, por isso, não pode captar recursos via CDB, por exemplo.
Enquanto a licença bancária não chega, Stark mencionou que uma das alternativas avaliadas é o lançamento de um FIDC (fundo de recebíveis) para captação. Ele também afirmou que uma nova rodada de investimentos está descartada no momento e que a empresa está capitalizada.
4) Meta de R$ 1 trilhão em 2026 após R$ 600 bilhões em 2025
A reportagem diz que, para 2026, a empresa mira R$ 1 trilhão em recursos movimentados, acima dos R$ 600 bilhões de 2025. Na aritmética do crescimento, isso representaria um salto de cerca de 67% (de R$ 600 bilhões para R$ 1 trilhão).
A entrevista também contextualiza que o número considera serviços prestados a empresas, incluindo cartão, Pix, conta digital corporativa, pagamentos, cobranças e recebimentos, e cita grandes clientes como Ambev e iFood.
Esse ponto conversa com um movimento maior do mercado: infraestrutura de pagamentos no Brasil opera em volumes extremos. Em dezembro de 2025, por exemplo, o Banco Central registrou 313,3 milhões de transações Pix em 24 horas e R$ 179,9 bilhões movimentados em um único dia, um recorde que ilustra o nível de escala exigido para quem depende desse trilho.
5) IA como “gerente 24/7” e a busca por automação real
Outro trecho relevante foi a antecipação de um anúncio ligado à inteligência artificial. Segundo a CNN Brasil, Stark disse que a empresa prepara uma IA disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, interagindo “como se fosse um gerente”, com foco em resolver problemas reais das empresas, e não apenas responder de forma robótica.
O fundador também comentou o quanto a tecnologia tem avançado e citou sua formação em engenharia no ITA.
Esse tipo de aplicação reforça uma direção clara do setor: automação não é “incremento”, é mudança de patamar quando reduz tempo humano desperdiçado em tarefas repetitivas e aumenta previsibilidade no operacional.
O que essa entrevista sinaliza para quem opera empresa
Sem entrar em opinião sobre regulação ou política pública, a conversa aponta três sinais objetivos para o mercado corporativo:
- Escala virou pré-requisito: em pagamentos, o problema aparece nos picos.
- Governança está ganhando peso: o regulador tende a elevar o padrão de conformidade e clareza.
- Automação é a próxima fronteira: IA e tecnologia aplicada ao operacional passam a ser diferenciais que reduzem custo e aumentam controle.
Em outras palavras: crescer exige base. E base, em finanças, é o que permite avançar com consistência.
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